domingo, 16 de março de 2008
O pessoal vem aí!
Segundo dia, domingo. Quem quiser levantar-se cedo, pode ir ver a cidade a acordar para as bandas do Duomo, tomar café numa esplanada, comprar o jornal na Mondadori ou na FNAC. A concentração será por volta das onze, já com o pequeno-almoço tomado. Arrancamos para os lados de Santo Ambrósio, Porta Ticinese, Piazza della Resistenza Partigiana, vamos ver a igreja de São Lourenço, o parque das duas basílicas, em direcção ao sul, Naviglio. Passamos pela igreja de Santo Eustórgio, almocinho ligeiro na Gatullo. Tarde de caminhada, com tempo para sesta, reunião às oito, jantar na Pizzeria Premiata.
Segunda-feira, terceiro dia. Voltinha das compras, almocito, comboio em Cadorna às quatro e meia da tarde, avião às sete e meia, programa cumprido. Depois, é só convencê-los a voltar outra vez ou... a ficar.
sábado, 15 de março de 2008
Zen e a Arte do Tiro com Arco
Até então, o destino da seta era um disco de palha assente num cavalete de madeira, em frente ao qual nos colocávamos, à distância equivalente ao comprimento de duas setas. O alvo, porém, está colocado a uma distância de sessenta metros, sobre uma elevação de areia de base larga, delimitada por três paredes e protegida, tal como o pavilhão onde fica o arqueiro, com uma cobertura de telha graciosamente inclinada. Os pavilhões estão ligados por altos tabiques que isolam do exterior o espaço onde se desenrolam acontecimentos tão singulares.
O mestre fez uma demonstração de tiro ao alvo. Ambas as setas acertaram no centro. Depois, convidou-nos a executar a cerimónia exactamente como antes, e permanecer em tensão máxima sem deixar que a presença do alvo nos causasse a mínima perturbação e esperar até que se desse o disparo. As nossas finas setas de bambu, embora partissem na direcção desejada, não chegavam a atingir, sequer, o monte de areia, e muito menos o alvo, cravando-se no chão à sua frente.
“As suas setas não atingem o alvo – observou o mestre – porque o seu alcance espiritual é limitado. Deve comportar-se como se o alvo estivesse a uma distância infinita. É um facto conhecido e comprovado pela experiência quotidiana entre nós, mestres arqueiros, que um bom arqueiro, munido de um arco de resistência média, atira mais longe que um arqueiro munido do arco mais forte, mas carente de espiritualidade. Logo, o resultado não depende do arco, mas sim da presença de espírito, vivacidade e atenção com que ele é manejado.”
(…)
Com o decorrer do tempo foram acontecendo, de vez em quando, mais alguns tiros que atingiam o alvo, embora acompanhados de muitos tiros falhados. Mas, ao menor sinal de vaidade, logo o mestre me repreendia com particular rudeza e explodia: “Mas o que é que se passa consigo? Sabe perfeitamente que não se deve incomodar com os tiros falhados. Do mesmo modo, deve abster-se de se alegrar com os tiros bem sucedidos. Tem de se libertar desse oscilar entre o prazer e o desprazer. Precisa de aprender a manter-se em serena indiferença, e alegrar-se como se tivesse sido outro, que não o senhor, a executar um bom tiro. Não calcula como isto é importante.”
(…)
ZEN E A ARTE DO TIRO COM ARCO, Eugen Herrigel
Eugen Herrigel (1884-1955) foi um filósofo alemão que ensinou filosofia na Tohoku Imperial University em Sendai, Japão, de 1924 a 1929 e levou o Zen a muitas partes da Europa através dos seus escritos.
Primavera urbana
Nunca me tinha apercebido de como chega a Primavera à cidade. Até ter vindo para Milão, pensava que a Primavera apenas existia no campo. Milão é uma cidade de árvores que florescem. Todas as árvores florescem? Magnólias florescem, certamente, Milão é uma cidade de magnólias. Atrás do Duomo há uma árvore—uma só—que floresce, não sei que árvore é, pensava que era uma magnólia quando a vi pela primeira vez, antes de florir. Não é! Tem uma flor parecida com a do lírio. Parece haver uma cumplicidade histórica entre esta árvore e as pedras da catedral. Que terá visto esta árvore? Quantas primaveras terão florido nesta árvore junto à catedral? Quem se terá sentado à sua sombra, olhado para as suas flores, com os contrafortes de pedras talhadas como fundo?
Porque o entardecer é uma ferida vertical que tomba no horizonte, aqui estou e aqui a contemplo embevecida de silêncio e paz.
Digo baixo nomes antigos, nomes verdadeiros, nomes bons. Nomes escusados.
Bato à porta da noite que chega, com a alma cansada e os braços tranquilos.
Atravesso o horizonte de laranja e roxo e sento-me na grande porta que ainda não foi aberta do outro lado do mar.
Encosto a cara aos barcos ancorados em cais antigos. Respiro na amurada de ternas viagens que não mais farei.
Há verdes brisas nos meus cabelos, livres como pássaros de que não se sabe a origem.
A primeira estrela floresce perto da Lua.
Seres tranquilos embriagam-se de tranquilidade e trevas e nascem como troncos invulneráveis na praia silenciosa.
Alguém começou a cantar. Um pouco ao acaso.
Outras sombras verticais escutam abismadas e respondem de um horizonte antiquíssimo à voz primeira. São uma constelação inesperada, quente, que corre como um vinho velho e nos perturba.
Um pássaro voa neste canto.
Atravessa o entardecer e, por momentos, é uma canção também.
Integra-se a tristeza que nos dilui, desta doçura nocturna, acerada de símbolos repentinos.
Sobre o mar, pressente-se uma ordem harmoniosa, que não ilude.
Há uma guitarra junto às rosas da memória.
A noite cai, solene.
Uma lágrima fractura o espelho desta hora.
MELODIA PARA UM ENTARDECER- Maria Rosa Colaço
quinta-feira, 13 de março de 2008
Política da educação ou educação da política?
sábado, 1 de março de 2008
Hoje almoçámos com a Sofia, o Manuel e o João, antes passámos no mercado da Via Olona, levámos queijos, vinho e azeitonas, comprámos pizas. A Sofia fez o melhor “tiramisú” que comi até hoje. No regresso a casa, passámos pela montra daquela loja das facas e não consegui resistir a comprar a Wusthof 4183/17 Santoku Oriental cook’s knife… uma obra de arte!
O mercado da via Olona é a representação eterna da Primavera, visto que, com a globalização e industrialização dos produtos agrícolas, é possível encontrar morangos do Chile na época do Natal (a vinte euros o quilo!) mas hoje os hortícolas eram genuínos, havia nabiças, alcachofras, favas, laranjas, cores primaveris e intensas.
